A colocação geopolítica do Irão

Fonte: Informacao incorrecta, 3 giugno 2010

 

Esta intervenção é composta de duas partes distintas. A primeira, e principal, é uma visão geral do Irão no ambiente geopolítico global e da Eurásia em particular. O segundo irá abordar o problema das últimas e contestadas eleições presidenciais na República Islâmica.

Começamos com a primeira parte e, portanto, com a posição geopolítica do Irão.

O mundo segundo a geopolítica clássica

Este mapa, retirado dum volume do geógrafo britânico Halford John Mackinder, mostra como os clássicos geopolíticos, especialmente anglo-saxão, costumassem vir o mundo. A geopolítica clássica focaliza a própria atenção no continente euro-asiático: de facto, na Eurásia, se encontram a maioria das terras, da população e dos recursos; e sempre na Eurásia surgiram as grandes civilizações da história.

O mundo está dividido em três faixas, cada uma das quais irradia concêntrica  a partir do centro da Euroásia. Aqui é a área “pivot” ou “terra-coração” (Heartland), cuja característica é ser impermeável ao poder do mar. Não tem litoral (excepto para o Árctico, que todavia não pode garantir as ligações com o resto do mundo), nem há ligação fluvial com o mar, pois os principais rios acabam no Árctico ou em mares fechados. No Heartland, portanto, o poder continental não é combatido por via marítima.

Heartland é envolta por uma segunda faixa, a “crescente interior” (Inner Crescent), que percorre toda a margem continental Eurasiática, desde a Europa Ocidental até a China através do Médio Oriente e o Sul da Ásia: por esta razão é chamada também “terra-margem” (Rimland). Aqui os poderes continental e marítimo tendem a compensar-se mutuamente.

Por fim, fora da Eurásia, está a terceira e última faixa, a “crescente externa” (Outer Crescent), que compreende as Américas, África, Oceania e também a Grã-Bretanha e Japão. Esta é a sede natural da potência marítima, onde a continental não pode ameaça-la.

Segundo Mackinder, que escreveu no início do século XX, o advento da ferrovia teria compensado a maior mobilidade do transporte marítimo, equilibrando a situação do poder em favor da potência terrestre (continental). John Spykman, meio século depois, diminuiu o peso das ferrovias, argumentando que a potência marítima manteve a sua vantagem: Heartland é difícil para a talassocracia (a hegemonia sobre os mares), mas não pode ameaçar esta última se ocupar primeiro a terra-margem (a segunda faixa). Tarefa da talassocracia, que, naqueles anos, assim como hoje, eram os EUA, é de excluir Rimland do poder continental (então a URSS).

Guerra Fria: a estratégia da contenção

A estratégia de contenção durante a Guerra Fria corresponde à visão do mundo da geopolítica clássica. Contra um adversário que ocupava a Heartland (a referência é obviamente para a URSS), os talassocráticos EUA têm operado um dispositivo para manter sob controle Rimland, impedindo a Moscovo de chegar à costa e projectar-se no mar. Deste dispositivo fazem parte a Nato na Europa Ocidental, a Cento no Médio Oriente, a Seato no Sudeste Asiático e a aliança com a Coreia do Sul e o Japão (e mais tarde com a China) no Extremo Oriente.

CENTO (Pacto de Bagdade)

Da Cento, ou Pacto de Bagdad, fazia parte também o Irão, assim como Turquia, Iraque, Paquistão e Grã-Bretanha (como ex dono colonial). Com o mapa é fácil identificar CENTO como um elo da cadeia de confinamento que corre ao longo do Rimland.

O Médio Oriente durante a Guerra Fria: décadas ’50 e ’60

Este mapa mostra, simplificando um pouco, a situação: as partes em jogo nas primeiras décadas do conflito bipolar no Médio Oriente. Se Egipto, Síria e Iraque aproximaram-se à URSS, na região os EUA baseavam-se na tríade das potências não-árabes: Israel, Irão e Turquia.

O Médio Oriente durante a Guerra Fria: situação post 1979

A Revolução Islâmica de 1979 encerra a aliança entre o Irão e os EUA, sem deslocar Teheran para o campo soviético. Isso reforça o peso dos dois pinos sobreviventes, Turquia e Israel, e também o crescente apoio que Washington fornece a ambos os Países, especialmente a Tel Aviv. Por seu lado, todos os Países árabes, excepto a Síria, o Iraque e o Yeêmen do Sul, após a mudança egípcia tomam mais ou menos uma posição morna a favor dos Estados Unidos da América. Esperam que uma aproximação com Washington possa quebrar o “relacionamento especial” entre a Casa Branca e Tel Aviv, e, portanto, receber uma mediação mais justa em relação ao estado judeu. Esperança que ficar não atendida.

O tabuleiro eurasiático segundo Z. Brzenzinski

Esta imagem, tirada do The Grand Chessoboard de Zbigniew Brzezinski, mostra a visão do continente eurasiático pelos herdeiros do clássica geopolítica norte-americana. A Federação da Rússia continua a manter uma posição central, embora menor do que o regime soviético, enquanto a terra-margem (Rimland)  é dividida em três áreas. Para cada uma Brzezinski recomenda uma política regional de Washington.

O Ocidente, na Europa, é o que Brzezinski chama de “uma ponte para a democracia”, que a o pied-à-terre da talassocracia dos EUA na Eurásia. A integração europeia constitui um desafio para os EUA: se tivesse que falir e devolver uma Europa fragmentada e briguenta, ou se pelo contrário, tivesse um grande sucesso através da criação de um Espaço Europeu monolítico e estrategicamente independente, em ambos os casos a presença americana na região seria colocada em discussão. A solução proposta por Brzezinski é de chefiar a integração europeia e direcciona-lo para que não prejudique os interesses dos EUA; exactamente o que aconteceu com a expansão da Nato para preceder e dirigir a da UE, que demandou a própria segurança e orientação estratégica para as chefias americanas.

No Oriente os EUA têm bases avançadas no Japão e na Coreia, que devem manter a qualquer custo. Mas Brzezinski, levando em conta um dos movimentos que decidiu a Guerra Fria, também aconselha a cultivar as relações com a China, que poderia tornar-se um segundo ponte americano na Eurásia.

Finalmente há o Sul, correspondente ao Médio Oriente, desde o Mediterrâneo até a Índia.

O Médio Oriente segundo Z. Brzenzinski

Nesta área, Brzezinski considera que os aliados naturais, embora muitas vezes não intencionais, da geo-estratégia dos EUA são o Irão e a Turquia. Podem contrabalançar a influência russa e frustrar a tentativa de reconquistar as regiões na sua área de influência. Esses interesses “competitivo” entre Turquia, Irão e Rússia, identificados por Brzezinski, mais reflectem a situação da década de 90 do que da última década na qual os três Países têm-se centrado na solução “cooperativa” e não “competitivo”.

Eurasia: concentração dos recursos energéticos

Agora vamos tratar do quadro energético. O mapa resume a situação da energia na Eurásia, identificando quatro regiões de importação (Europa, Ásia Oriental, Ásia Meridional e Sudeste Asiático) e quatro regiões exportadoras (Rússia, Ásia Central, Irão, Médio Oriente). As quatro regiões produtoras poderiam ser substancialmente reduzidas a duas: a Ásia Central não tem acesso ao mar, depende dos Países vizinhos para vender os próprios recursos, nomeadamente a Rússia devido à rede de gasodutos e oleodutos herdados da época soviéticas; o Irão exporta muito menos do seu potencial, como veremos em breve. Por isso sobram a Rússia e o Médio Oriente, mas este último é dividido em várias nações, muitas vezes politicamente, economicamente e socialmente frágeis. É por isso que a Rússia pode ser identificada como a maior potência energética do continente eurasiático (e mundial).

Eurasia: oleodutos e gasodutos

Esta imagem mostra como a rede de energia existente tenha centro no território da Federação Russa. Em particular, a Ásia Central depende quase inteiramente da Rússia para a exportação de seu petróleo até a Europa.

O oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan

Os EUA tentaram inserir-se na conexão Ásia Central – Rússia – Europa. Na verdade, esta ligação cria uma relação de interdependência entre as três partes. Em particular, Moscovo recebe importantes alavancas estratégicas inerentes os Países europeus e da Ásia Central. O plano de Washington é construir novas rotas energéticas da Ásia Central para a Europa que contornem a Rússia. O primeiro projecto importantes nesse sentido foi o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan. Inaugurado em 2006, teve um efeito perturbador menos importante de quanto previsto pelos Estados Unidos: de facto recebeu o petróleo do Azerbaijão, mas apenas marginalmente o dos Países da Ásia Central.

Os projectos de gasodutos rivais com destino Europa

Nos últimos anos o gás natural tornou-se cada vez mais importante no cabaz energético, e por isso os projectos mais recentes têm incidido sobre o transporte do “ouro azul”. Os EUA lançaram o ambicioso projecto Nabucco que, desde a Turquia, deve chegar na Áustria, representando um canal alternativo para o trânsito no território russo. Moscovo não ficou a olhar: os Russos já começaram a construção do Nord Stream e estão a preparar o lançamento do South Stream: e os dois gasodutos, passando respectivamente sob o Mar Báltico e o Mar Negro, ignoram a Europa Oriental (que criou vários problemas para o trânsito do gás russo) e irão aumentar significativamente o volume de fornecimentos da Rússia para a Europa Ocidental.

O Nabucco e o Irão

O Nabucco tem uma grave deficiência: a incerteza sobre as explorações a partir do qual captar o gás. Além do gás do Azerbaijão, é provável que receberá o do Egipto e do Iraque. No entanto, isto pode ser insuficiente em relação às ambições com as quais será criado. Além disso, a sua óbvia finalidade geopolítica é a de roubar gás da Ásia Central (Turcomenistão em particular), ao trânsito russo. Mas o gás do Turcomenistão tem apenas duas maneiras de chegar até Erzurum: uma conduta hipotética trans-Cáspio (que tem a oposição de duas nações ribeirinhas , a Rússia e o Irão, e acerca da qual permanecem muitas dúvidas técnicas), ou o trânsito através do território iraniano.

Mas o papel do Irão com relação ao Nabucco não pode ser apenas de um simples canal de trânsito de gás do Turcomenistão. O País persa já é um grande exportador de petróleo, mas mostra um potencial ainda maior em relação ao gás natural, com reservas provadas que são as segundas maiores do mundo. E embora seja o quinto maior produtor do mundo de gás, o Irão é pouco mais de vigésimo nono enquanto exportador. Isto porque a maioria do gás produzido é consumido internamente. Esta é uma das principais razões para o programa nuclear iraniano: satisfazer a necessidade de energia interna com o nuclear e a libertar grandes quantidades de gás para a exportação. Exportações que poderiam passar mesmo pelo Nabucco, se houvesse uma distensão com a Nato.

O gasoduto Irão-Paquistão-Índia

Também para evitar essa eventualidade, a Rússia esforçou-se para patrocinar o gasoduto Irão-Paquistão-Índia. Dirigindo para Oriente o gás iraniano, Moscovo pode continuar a ser a principal e essencial fornecedor de energia da Europa. Teheran e Islamabad já começaram a construir, enquanto a Nova Deli, também cúmplices as pressões de Washington, ainda é hesitante. Os paquistaneses têm oferecido aos chineses o lugar dos indianos, mas por enquanto Pequim não aceita nem rejeitada.

Médio Oriente: a situação atual

Nesta fase, o Médio Oriente parece estar a experimentar uma nova polarização. Em comparação com a Guerra Fria, o papel estratégico dos actores externos é menor do que o dos País local, mas não desprezível. A ascensão do Irão assusta muitos Países árabes, especialmente os do Golfo, que junto com a Jordânia e o Egipto já formaram uma aliança “não oficial” com Israel, obviamente, abençoada pelos EUA. O Irão, além do aliado Síria e um par de Países incertos (Iraque e Líbano) também parecem poder contar com a Turquia: um País que tem ambições de hegemonia regional, mas que nesta fase escolheu a cooperação com o Irão. Este segundo bloco cultiva boas relações com a Rússia e a China.

 

As eleições presidenciais de 2009

Vamos então a segunda parte desta exposição, que abrange as eleições presidenciais iranianas de 2009. Em particular, tentamos compreender se é que foram manchadas pela fraude ou se a vitória de Ahmadinejad pode ser considerada como verdadeira. Apoiamos os resultados numa minha pesquisa pormenorizada, da qual serão apresentados só os dados mais importantes, omitindo os cálculos intermédios e outros argumentos auxiliares.

 

Estes são os resultados oficiais das eleições disputadas. A primeira coisa que salta aos olhos são os mais de 11 milhões de votos de diferença entre Ahmadinejad e o segundo classificado, Musavi. Num País onde cada mesa de votação tem visto vários observadores independentes e candidatos (incluindo os derrotados: em particular, Musavi tinha mais observadores do que Ahmadinejad) parece altamente improvável, senão impossível, pensar numa intervenção maciça dos boletins de voto já nos assentos. Não por acaso, os mesmos críticos que denunciaram a suposta fraude de Ahmadinejad estão mais inclinados a considerar que os resultados foram simplesmente reescritos pelas autoridades. Mesmo que a re-contagem parcial dos votos em alguns dos distritos mais controversos tenha confirmado os resultados iniciais, a possibilidade de fraude manteve um amplo crédito em todo o mundo.

 

No entanto, os resultados das eleições foram em linha com o que tinha sido previsto pela maioria dos observadores e das sondagens. Mesmo sem confiar nas sondagens iranianas, há uma, muito significativa, que foi efectuada com todo o rigor científico por três importantes organizações dos Estados Unidos: o centro Terro Free Tomorrow (não suspeitos de “ser bom” com Ahmadinejad, tendo entre os seus conselheiros também o senador John McCain), o prestigiado instituto New America Foundation e a empresa de pesquisa KA, entre os líderes mundiais do sector. Este inquérito, apesar de registar um elevado número de indecisos, mostrou uma tendência de voto relativamente a Ahmadinejad superior daquela de facto foi verificada nas eleições.

 

Há um outro dado muito importante. Ao substituir Musavi de 2009 com o candidato Rafsanjani, que em 2005 desafiou Ahmadinejad nas urnas, poderíamos descobrir que os resultados das duas últimas eleições presidenciais no Irão são quase coincidentes. Repare-se que em 2005 governava Khatami o qual, nas últimas eleições apoiou Musavi, tal como Rafsanjani.

Segundo alguns comentadores, uma “prova” da fraude sistemática nas eleições de 2009 seria a excessiva uniformidade de votos nas várias províncias. A evidencia aritmética, no entanto, mostra que a votação de 2009 foi mais “deformada” localmente do que em 2005 (que, lembre-se, realizou-se sob um governo de “reforma”, governado pelos adversários políticos de Ahmadinejad).

As discrepâncias locais na votação do Irão em 2009 é significativamente superior, por exemplo, a registada nas eleições italianas de 2008, as quais nem por isso foram acusadas de estar falsas.

Ali Ansari, um pesquisador da Chatham House de Londres, identificou 10 províncias (de um total de 30), em que os votos obtidos por Ahmadinejad seriam improvável em relação aos resultados de 2005. Ansari, como muitos defensores da tese de fraude, adopta como referência para comparar a primeira rodada de 2005. Isso é incorrecto, porque o contexto político era completamente diferente. Primeiro, em 2005 não houve um candidato presidente cessante, que em 2009 foi o mesmo Ahmadinejad, e assim a competição parecia ser mais plural: cinco candidatos em 2005 ultrapassaram o 10% dos votos no primeiro turno. A situação registada em 2009, com apenas quatro candidatos e uma aguda polarização dos votos em dois dos candidatos, faz lembrar o segundo turno e não o primeiro de 2005. Ao refazer os cálculos de Ansari com base precisamente na comparação com o escrutínio de 2005, e reconhecendo a Ahmadinejad 61,75% de novos eleitores (ou seja, a percentagem que obteve em 2005), observamos que em duas das 10 províncias Ahmadinejad até está em declínio .

Em um outra 4 teve aumentos inferiores a 10%; em apenas quatro os seus votos aumentaram em mais de 10%, com um pico de 17,72% em Lorestan. É preciso esclarecer aqui dois pontos: os votos obtidos nestas quatro províncias, mesmo admitindo que todas fossem fraudulentas, somam pouco mais de meio milhão de votos no total, em comparação com um deficit de Musavi de mais de 11 milhões de votos. Em segundo lugar, não há garantia de que, mesmo assim, ganhos significativos não possam ser verdadeiros. Os fluxos eleitorais existem e não significam automaticamente fraudes.

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Crociera col morto. Il “giallo” della Flottiglia

Fonte: Eurasia Online, 2 giugno 2010

 

Prologo

Solitamente crediamo che le vicende reali siano meno complesse ed intricate dei romanzi gialli di Agatha Christie. Ciò, almeno ad un’analisi superficiale, è vero. Ma spesso gli eventi reali nascondono retroscena e significati nascosti. Magari si sa chi è l’assassino, e non serve così nessun Poirot o Miss Marple che lo scopra, ma non sempre sono chiare tutte le motivazioni che animano gli attori sulla scena. E così eventi come la strage della Freedom Flottilla possono essere descritti ed analizzati quasi fossero dei gialli usciti dalla fervida fantasia d’uno scrittore, e non tragici eventi che coinvolgono persone reali.

L’antefatto

Nel 2006 il movimento Hamas vinse le prime elezioni democratiche dell’Autorità Nazionale Palestinese, l’embrione di Stato arabo – atteso ormai da oltre sessant’anni – concepito con gl’illusori accordi di pace degli anni ’90. Spalleggiato da Israele e dai paesi occidentali, il partito rivale al-Fatah rifiutò l’esito elettorale ed i Territori palestinesi scivolarono in un’autentica guerra civile, seppure a bassa intensità. Dal 2007 al-Fatah controlla la Cisgiordania, grazie all’aiuto delle truppe israeliane, mentre Hamas ha preso il sopravvento nella Striscia di Gaza, unilateralmente evacuata dai sionisti nel 2005.

Da allora Israele, che è ancora riconosciuta internazionalmente quale potenza occupante della Striscia (al momento dell’evacuazione non ha infatti compiuto alcun passaggio di potere), la stringe in una morsa per cercare di soffocare la crescita di Hamas: l’assedio è in atto dal mare e, grazie al contributo dell’Egitto, anche da terra, tanto che numerosi paesi ed organizzazioni internazionali parlano da anni di grave emergenza umanitaria (ciò non sorprende, dal momento che stiamo parlando d’un territorio di 360 km2 – poco più di un decimo della Valle d’Aosta – abitata da un milione e mezzo di anime – una densità superata solo dalle città-Stato come Monaco o Singapore). Periodicamente le truppe israeliane, assiepate lungo il confine, compiono incursioni all’interno della Striscia. È in occasione di tale guerriglia di confine che Hamas ha catturato il celeberrimo caporale Gilad Shalit, e che gl’Israeliani hanno fatto prigionieri parecchi dei 7.000 palestinesi detenuti nelle carceri dello Stato ebraico (diverse centinaia di questi sono minorenni). I media generalmente parlano di “sequestro” del caporale Shalit e, quando raramente ne accennano, di “arresto” dei palestinesi. Se è possibile accettare l’idea che Shalit sia stato “sequestrato” (assumendo la prospettiva di quei paesi che considerano Hamas un movimento terrorista, e dunque un’organizzazione criminale), non è in nessun caso giustificabile considerare i prigionieri palestinesi alla stregua di criminali comuni arrestati dalle autorità. I palestinesi nei Territori – mai formalmente annessi da Israele, che anzi con gli Accordi di Oslo ne ha riconosciuto la parziale sovranità all’ANP – non hanno cittadinanza israeliana, non si trovano in territorio israeliano e sono sottoposti alla giurisdizione militare, ossia alla legge marziale imposta dalla potenza occupante. I palestinesi incarcerati dai sionisti, per tanto, si dovrebbero definire “deportati” o “internati”.

La più importante delle succitate operazioni militari, tanto da essere identificata come una vera e propria guerra, fu quella a cavallo tra 2008 e 2009. A giugno 2008 era stata concordata una tregua semestrale tra Israele e Hamas, in virtù della quale il lancio di razzi palestinesi in territorio israeliano fu pressoché azzerato (dai 400-500 dei mesi precedenti, alla decina dei primi mesi di tregua fino ai 2 di ottobre); dal canto suo Israele diminuì il numero delle incursioni, pur non annullandole del tutto. Non di meno, Tel Aviv continuò a mantenere il blocco economico sulla Striscia ed a condurre azioni militari contro Hamas in Cisgiordania: il movimento palestinese giudicò perciò impossibile rinnovare la tregua sulle stesse basi. Il 4 novembre, benché la tregua fosse ancora in vigore, le truppe sioniste lanciarono una massiccia incursione militare all’interno della Striscia (ufficialmente per bloccare una galleria sotterranea che permetteva d’eludere il blocco), uccidendo alcuni palestinesi. Hamas denunciò la violazione della tregua e, per rappresaglia, riprese il lancio di razzi. Tel Aviv rispose a sua volta con un’azione militare in grande stile, che provocò migliaia di vittime nella Striscia.

Da allora tra Gaza e Israele continua uno stato di conflittualità a bassa intensità (con rari attacchi palestinesi e sporadiche incursioni israeliane), ma permane il blocco economico della Striscia attuato da Tel Aviv e dal Cairo.

Il delitto

È stato per portare momentaneo sollievo alla popolazione stretta in tale assedio economico che è nata la “Flottiglia della Libertà”: un insieme di otto imbarcazioni, per lo più battenti bandiera turca o greca, allestite da varie organizzazioni umanitarie (la più importante l’anatolica Insani Yardim Vafki, IHH) e con a bordo numerose personalità del mondo politico e culturale, ma soprattutto ingenti quantità di beni da portare alla popolazione di Gaza, tra cui medicinali, libri e materiale edile (che il blocco sionista non lascia passare).

Le otto imbarcazioni si sono riunite a Cipro: le locali autorità hanno impedito a quanti volevano imbarcarsi direttamente dall’isola (tra cui l’ex senatore italiano Fernando Rossi) d’unirsi a quelli che già si trovavano sulle navi, due delle quali sono rimaste bloccate per problemi tecnici. Le altre sei sono partite il 30 maggio alla volta di Gaza, ma dopo poche ore intercettate in acque internazionali dalla marina israeliana.

L’arrembaggio d’un commando sionista alla nave ammiraglia della Flottiglia, la turca Mavi Marmara (vecchia imbarcazione di linea, con circa 600 passeggeri a bordo), è finita in una strage, con 19 morti (9 secondo Tel Aviv) e parecchie decine di feriti: tutti i morti e quasi tutti i feriti sono passeggeri della nave abbordata. La Flottiglia coi relativi passeggeri sono stati sequestrati dalle forze armate sioniste, interrogati con metodi violenti che rasentano la tortura, e da poco espulsi dal paese (tra loro anche l’italiana Angela Lano, direttrice dell’agenzia Infopal).

Una trama da svelare

Immediatamente si sono scontrate due versioni opposte degli eventi. Secondo gli attivisti attaccati, il commando incursore avrebbe deliberatamente sparato su persone inermi. Tel Aviv afferma invece che i soldati avrebbero agito per “autodifesa”, attaccati dai passeggeri della nave. Inizialmente si è parlato di mazze e coltelli, in seguito persino di armi da fuoco. Quest’ultima eventualità non è al momento suffragata da prove, ed anzi smentita dalle autorità turche, che affermano d’aver sottoposto tutti i passeggeri, al momento dell’imbarco, a controlli coi raggi X. Inoltre, pare poco probabile e sicuramente insensato che qualcuno dei passeggeri abbia cercato uno scontro a fuoco con soldati professionisti di reparti scelti. Israele ha finora diffuso immagini delle presunte “armi” trovate sulla Mavi Marmara: coltelli da cucina, chiavi inglesi, pertiche, catene. Nulla che sorprenda ritrovare su una nave passeggeri che sta compiendo un viaggio di più giorni e trasporta materiali vari da consegnare a destinazione. Appare improbabile che qualche temerario abbia provato a sfidare soldati armati di mitragliatore con coltelli da cucina. È possibile che qualcuno abbia provato a resistere armandosi d’una spranga, ma ciò non giustificherebbe comunque la reazione delle truppe sioniste: la polizia di qualsiasi paese del mondo è addestrata ad affrontare con mezzi non letali i facinorosi che oppongano resistenza con bastoni o affini, senza bisogno di sparare in piena notte in un’imbarcazione affollata di gente. I media turchi sostengono addirittura che i soldati israeliani avrebbero eseguito alcuni omicidi a sangue freddo in base ad una lista di personalità ricevuta prima dell’attacco: anche questo è inverificabile, ma rimane una certezza, e cioè che le truppe sioniste hanno fatto come minimo un uso sproporzionato della forza. Chiediamoci ora il perché.

Una prima possibilità è che i soldati israeliani abbiano perso il controllo della situazione, e soprattutto di se stessi. Di fronte ad una qualche resistenza alla loro azione illegittima – dal momento che è stata condotta in acque internazionali – hanno reagito aprendo il fuoco sui passeggeri della nave e facendo una strage. Per forze armate forgiate da decenni d’occupazione e controguerriglia in Palestina, disabituate a distinguere tra combattenti e civili, dimentiche delle leggi belliche ed ignare del diritto internazionale, avvezze al massacro di civili, sarebbe possibile se non probabile usare il pugno più duro di quel che servirebbe. Ma parrebbe troppo dilettantesco per un’unità di élite com’è la Shayetet 13 incapparre in un incidente tanto grossolano, trasformando l’arrembaggio ad una nave di pacifisti in una strage di massa. Si è inclini a pensare che il pugno duro sia stato preventivato, che l’uccisione d’alcuni passeggeri fosse voluta o, quanto meno, non disdegnata. Ma da chi?

Secondo Janiki Cingoli, direttore del CIPMO, gli apparati di sicurezza israeliani si muoverebbero ormai da soli, ed il governo sarebbe incapace di controllarli. È fuor di dubbio che in Israele i militari abbiano un enorme potere ed una forte indipendenza dal controllo politico; ma è difficile credere che agiscano in assoluta autonomia, senza il consenso di almeno una parte del governo. Probabilmente la stessa parte che, in coincidenza con la visita del presidente statunitense Joe Biden in Israele, fece in modo di mettere in serio imbarazzo lui e il primo ministro sionista Netanyahu dando il via libera alla costruzione d’edifici residenziali per coloni nella Gerusalemme Est occupata. C’è in Israele una parte consistente e soprattutto in grande crescita di ultra-nazionalisti, generalmente estremisti religiosi, che si sentono limitati dalle critiche degli alleati ed amici occidentali, e preferirebbero un Israele più isolato internazionalmente ma che abbia mano libera per una “soluzione finale” della questione palestinese, delle dispute di confine, del programma nucleare iraniano, della sistemazione della regione. Un’estrema destra di stampo religioso che vorrebbe rompere con USA e Unione Europea, abbandonare ogni residua timidezza e far valere la propria supremazia militare e nucleare nel Vicino Oriente per ridisegnarlo a proprio piacimento.

Questa è una possibile chiave di lettura, imperniata sulla politica interna d’Israele. Ma più probabile è che, al posto di tale motivazione o in aggiunta ad essa, ci sia la volontà da parte del ceto dirigente israeliano (o di una parte di esso) di lanciare un messaggio al mondo intero.

Provocazione è la parola chiave.

“Provocazione” è stata, secondo le autorità sioniste, quella della Flottiglia della Libertà. Tutti gli estremisti d’ogni tempo e colore amano giustificare le proprie azioni denunciando una presunta “provocazione” da parte dell’avversario. Negli anni ’70 molti crani furono rotti per punire quelle ch’erano percepite come “provocazioni”. Questo perché l’estremista è per sua natura iper-sensibile, paranoico, intollerante: tutto o quasi è per lui “provocazione”. “Provocatore” è l’avversario se tenta di esternare le proprie idee; “provocazione” può essere la semplice presenza fisica di colui che si odia. Il sionismo, soprattutto nella sua nuova declinazione religiosa, è un’ideologia radicale (costruire una nazione che prima non c’era, nel paese dove c’è un altro popolo, è senza dubbio un progetto radicale ed estremista, a prescindere dal giudizio positivo o negativo che di esso si voglia dare); il sionismo è paranoico, perché vede nemici ovunque (il presunto odio eterno che i goym avrebbero verso gli Ebrei); il sionismo è intollerante perché non mostra pietà per chi vi si oppone (secondo il rabbino Ytzhak Shapira, è doveroso uccidere qualsiasi non ebreo ostacoli Israele); il sionismo è estremista perché attratto dalle visioni apocalittiche (secondo lo storico israeliano Martin Van Creveld, se Israele dovesse collassare è probabile che proverebbe a trascinare con sé il mondo intero usando le proprie testate atomiche, che assommano ad alcune centinaia). Malgrado ciò, tuttavia, e senza voler in alcun modo giustificare il massacro d’attivisti innocenti, Israele non è completamente nel torto quando ravvisa una “provocazione” nel progetto della Flottiglia. Per comprenderne la natura, bisogna concentrarsi sul ruolo dello Stato che se ne è fatto tutore: la Turchia.

Stando a George Friedman, Ankara avrebbe volutamente cercato l’incidente affinché Israele si mettesse in cattiva luce davanti al mondo. Sembra tutto troppo machiavellico. Più credibile è che i Turchi pensassero che, grazie all’egida data all’iniziativa, questa potesse “bucare” il blocco navale israeliano. Si sarebbe trattato di un evento dall’alto valore non solo umanitario ma anche simbolico, a favore del ruolo della Turchia come potenza regionale protettrice dei musulmani. Il fatto che Ankara si immischiasse nella questione palestinese è stato percepito dai sionisti come una “provocazione” cui rispondere nella maniera più brutale possibile.

Se al pari di Thierry Meyssan e seguendo la ricostruzione fin qui fatta, si riconosce che la strage della Flottiglia è stata deliberatamente provocata da Israele, bisogna concludere che anche Tel Aviv volesse con ciò lanciare la propria “provocazione”. La trama di questo giallo è stata scritta nel sangue, sangue che i sionisti hanno voluto sbattere in faccia al mondo per lanciare il loro messaggio, ed osservare la reazione.

Gli USA, malgrado le recenti tensioni col governo israeliano e l’umiliazione fatta patire a Biden durante la sua visita nello Stato ebraico, al dunque hanno mostrato di non potere o non volere prescindere dall’allineamento a Tel Aviv, coprendone le malefatte in sede di Consiglio di Sicurezza dell’ONU.

L’Europa ha fatto le sue rimostranze di facciata, simili a quelle che accompagnarono l’aggressione a Gaza nel 2008-2009: “distinguo” che vorrebbero salvare la nomea di “potenza benigna” che l’UE ha o crede d’avere nel mondo, senza però realmente ostacolare la politica d’Israele. Non c’è da sorprendersi che pochi paesi abbiano mostrato una reale insofferenza verso l’azione sionista, e cioè quelli in cui la Flottiglia aveva degli appoggi “altolocati” (vedi la Grecia). In tutti gli altri paesi – vedi ad esempio l’Italia – i partecipanti alla Flottiglia sono anche dissidenti del proprio governo, il quale difficilmente sarebbe realmente dispiaciuto se succedesse loro qualcosa. Indicativo che le dichiarazioni provenienti dalle varie cancellerie europee siano in linea con quelle della Farnesina, da alcuni anni autentica succursale del Misrad HaHutz, la quale per distinguersi s’è limitata a qualche frase sconcertante di un oscuro sottosegretario.

Neppure i paesi arabi sembrano andare oltre le pubbliche dimostrazioni di sdegno, che celano un’inattività diplomatica paragonabile a quella osservata durante la guerra a Gaza – quando la stessa convocazione di un inconcludente vertice della Lega Araba richiese più giorni. L’Egitto ha riaperto il Valico di Rafah, ma la sensazione è che il presidente Mubarak abbia con ciò voluto rispondere alla pressione del suo popolo, e che quando la tempesta sarà passata riprenderà a bloccare la Striscia di concerto con Israele.

Tutte queste reazioni erano abbastanza scontate. Tel Aviv, con la sua provocazione, ha voluto mettere alla prova prima di tutto la sua antagonista in questa faccenda: la Turchia. Il primo ministro Erdoğan aveva patrocinato l’iniziativa umanitaria per riaffermare il ruolo del suo paese nella regione: la brutale reazione israeliana vuole suonare come un’umiliazione a Ankara davanti al mondo intero. I sionisti hanno compiuto un atto di pirateria, assalendo in acque internazionali una nave turca in missione sponsorizzata dal governo, massacrando numerosi membri dell’equipaggio, deportando e brutalizzando gli altri prima di espellerli dal paese. Con ciò ha voluto dimostrare la propria forza: dimostrare che la sua superiorità militare e nucleare, coniugata con l’efficace azione delle lobbies sioniste sparse per il mondo (che lo garantiscono da un totale isolamento internazionale), permette a Israele di muoversi come vuole. I Turchi non possono reagire alla violenza con la violenza, non perché le loro forze armate convenzionali siano molto più deboli di quelle israeliane (in realtà il divario non è così netto), bensì perché Ankara non dispone di armi atomiche, mentre Tel Aviv ne ha a disposizione un paio di centinaia. E toccare Israele senza disporre d’una sufficiente deterrenza nucleare fa paura a tutti, perché lo Stato ebraico sembra ormai aver metabolizzato il dettame di Moshe Dayan: «Israele dev’essere come un cane rabbioso, troppo pericoloso da importunare». Quella che prima era una strategia deliberata, una “maschera” che i sionisti decisero d’indossare davanti al mondo, ora sta diventando l’identità stessa della nazione, è penetrata nell’intimo di un popolo sempre più orientato all’estremismo religioso ed alle soluzioni apocalittiche.

Un finale ancora da scrivere

Ha ragione Simon Thurlow a sostenere che l’incidente della Flottiglia favorirà l’AKP sul piano interno, perché il turco è un popolo fiero e fortemente nazionalista, che con tutta probabilità reagirà all’aggressione schierandosi a fianco del proprio governo. Purché il governo si dimostri però forte. Se Erdoğan darà segnali di debolezza, la sua gente perderà fiducia in lui.

Il Primo Ministro dovrà poi giustificare la nuova linea di politica estera, sempre più contrapposta a Israele, davanti alle Forze Armate che, com’è noto, almeno negli alti gradi non simpatizzano per lui. Erdoğan ha ammonito Israele che non conviene farsi nemici la Turchia, ma ciò che ha voluto affermare Tel Aviv col suo gesto brutale è proprio l’opposto: che a Ankara non conviene avere lo Stato ebraico per nemico.

Israele ha provato ad umiliare Erdoğan davanti al suo popolo, ma pure a screditarlo nella regione.

Ankara cerca di porsi come nuova potenza guida dei paesi musulmani nel Vicino Oriente, ma nessuno è disposto ad accettare un protettore che non sia forte a sufficienza. Tel Aviv ha voluto rimarcare la propria superiorità sulla Turchia affinché gli Stati arabi non cedessero alle lusinghe “neo-ottomane” di Ankara.

A questo punto, però, la palla è nel campo turco. Adesso tocca a Erdoğan abbozzare una reazione alla provocazione israeliana, una reazione che gioco forza deve escludere l’opzione militare ma dev’essere sufficientemente ferma e dura. Se la troverà, allora potrebbe ribaltare a proprio favore la situazione, conquistando ancor più i cuori della propria gente e la fiducia degli altri Stati nella regione. Se non vi riuscirà, le tensioni interne all’élite anatolica ne risulteranno acuite, e l’ascesa della Turchia come potenza regionale sarà, se non abortita, sensibilmente rallentata.

La sfida totale. Recensione di Augusto Marsigliante su Eurasia

Tratto da Eurasia Online,  27 maggio 2010

La Sfida Totale è l’opera prima di un giovane e brillante collaboratore di “Eurasia”, Daniele Scalea, che esce per i tipi della Fuoco Edizioni, casa editrice che si conferma sicuramente tra le migliori per quanto riguarda la pubblicazione di saggi di geopolitica. Riguardo all’Autore, per chi è abituato a leggere i suoi articoli sulla rivista, questo saggio sarà un’ulteriore conferma del suo valore. Si sentiva il bisogno, data la velocità alla quale sta cambiando il mondo che siamo stati abituati a conoscere, di qualcosa che facesse il punto della situazione, che cercasse di dare una spiegazione a fenomeni geopolitici non sempre di facile lettura. Una situazione fluida, in continua evoluzione, che ha visto, tra l’altro, i recenti riposizionamenti geostrategici ad esempio di Giappone e Turchia (molto prudente il primo, più netto e deciso il secondo).

Attraverso otto agili capitoli, si viene guidati alla comprensione delle attuali dinamiche geopolitiche. L’introduzione è volta a illustrare al lettore i principali esponenti della scienza geopolitica, con le relative teorie. La geopolitica come scienza quindi, non solo come prassi, una scienza, così come splendidamente definita da Aldo Braccio, «viva e concreta, [che] non può che favorire […] la formazione di un’unità continentale eurasiatica corrispondente all’effettivo “Cuore della Terra”, che sappia darsi leggi e ordinamenti incompatibili con l’odierno prevalere dell’Usurocrazia e di stili di vita legati all’American Way of Life».

Entriamo così nel vivo del libro, che prende le mosse da quella che è senza dubbio una data spartiacque della storia contemporanea, ossia l’implosione dell’Unione Sovietica, a cavallo dell’ultimo decennio dello scorso millennio. L’Autore analizza le vicende che caratterizzarono quel periodo, le responsabilità della classe dirigente sovietica, e gli effetti scaturiti da tale evento. Viene subito da notare come allo scioglimento del Patto di Varsavia non sia poi corrisposto un analogo evento per il Patto Atlantico, bensì quest’evento è coinciso con la penetrazione a Est della piovra atlantica. Non a caso il capitolo si intitola “Attacco al cuore della Terra”, il quale attacco viene scomposto in tre momenti: l’espansione militare, la sovversione politica, il procacciamento di fonti energetiche.

Nel capitolo successivo l’attenzione si sposta sul gendarme atlantico e sulla supremazia militare, sulle scuole di geopolitica americane (idealisti contro realisti), e sull’importanza del concetto basilare di “supremazia nucleare”. Senza voler sconfinare eccessivamente nella fantapolitica, (“le guerre stellari”) si converrà comunque sull’importanza fondamentale che riveste per ciascuno stato il possesso di un arsenale atomico, per lo meno a livello di deterrenza. Non si spiegherebbero altrimenti, ad esempio, la prudenza che viene riservata nelle delicate trattative con la bellicosa Corea del Nord e, al contrario, l’arroganza che viene riservata all’Iran, “reo” di voler procedere nell’arricchimento dell’uranio a scopi pacifici.

L’Autore si sofferma anche, in questo capitolo, su quella che viene considerata una data simbolo del nuovo millennio, ossia l’undici settembre 2001, sottolineando, alla luce dell’ormai famigerato documento denominato PNAC, come tale evento sia giunto in maniera più che opportuna per accelerare i desiderata degli Stati Uniti.

La nostra attenzione volge poi nuovamente a Est, dove nel capitolo “L’Orso si rialza” si pone l’attenzione sulla reazione del Cremlino. La riscossa guidata dall’ex agente del Kgb Putin e dal suo delfino Medvedev segue gli anni più bui della storia russa del ventesimo secolo, ossia quelli di Eltsin. Con il nuovo corso instaurato da Putin, gli oligarchi in Russia hanno smesso di imperversare e, anche se l’azione della nuova classe dirigente non sembra sempre essere guidata da una logica eurasista, l’interesse nazionale (e non quello di bande mafiose) è tornato finalmente preminente. Dopo aver fatto piazza pulita di oligarchi e Ong in odore di atlantismo (se non direttamente finanziate da Soros e compagnia), la Russia, finalmente cosciente del vantaggio strategico datole dalle enormi risorse energetiche di cui dispone, sta predisponendo una rete di gasdotti volti a bypassare stati ostili e a garantire quindi una continuità negli approvvigionamenti all’Europa.

I tentativi atlantisti di ostacolare tramite analoghi progetti (Baku-Tblisi-Ceyhan e Nabucco) non sembrano altrettanto convincenti.

Continuando nella lettura, si arriva così a quello che è stato definito l’“Impero di Cindia”, due miliardi e mezzo di persone, pari al 40% della popolazione mondiale, un’economia in costante crescita nonostante la crisi, e tutta una serie di accordi bilaterali che non fanno dormire sonni tranquilli agli atlantisti. Uno degli argomenti più controversi riguardo al rapporto Cina-Stati Uniti è senz’altro l’interdipendenza economica: l’Impero di Mezzo è il principale creditore degli Usa, ed è perciò presumibile che gradualmente la Cina cerchi di svincolarsi da questo pesante fardello. Ed è in queste righe che leggiamo a mio avviso una delle più efficaci definizioni della differenze tra Cina e Stati Uniti: «nel primo caso i capitalisti sono soggetti allo Stato, nel secondo è lo Stato a servire i capitalisti». Comunque, le sfide che oggi Cina e India devono affrontare sono numerose e complicate, una su tutte la minaccia secessionista. Eterodirette da sapienti burattinai, infatti, le rivendicazioni piccolo nazionaliste sono volte nient’altro che a minare dall’interno questi due colossi geopolitici, i quali attraverso una sapiente politica interna stanno al momento rintuzzando efficacemente il pericolo di una frantumazione. La balcanizzazione dell’Eurasia è forse oggi la sfida più difficile da fronteggiare sulla strada di un mondo multipolare.

Non si poteva non dedicare un capitolo a quella che forse è LA questione chiave dell’intero scacchiere geopolitico, ossia la questione palestinese. Vi è infatti, sulle sponde del Mediterraneo, un piccolo popolo minaccioso che, insediatosi in una terra che non era la propria, ha costituito un’entità statuale e, a suon di guerre, ne ha ampliato continuamente l’estensione. Senza voler sconfinare nella polemica politica, basti pensare che l’entità sionista detiene il quinto arsenale atomico mondiale (supposto, mai dichiarato), costituendo, essa sì!, la vera minaccia alla pace e alla stabilità non solo dell’area, ma persino a quella del mondo intero.

Meritava senza dubbio un approfondimento l’America indiolatina, al cui risveglio geopolitico viene dedicato un ampio capitolo. Oggi, questo enorme subcontinente ricco di risorse e potenzialità, non vuol essere più il “cortile di casa” di Washington ma, tramite Chavez, Morales, Correa, Lula, si sta emancipando e vuole essere padrone del proprio destino. Ultimo avamposto atlantico in America Latina è rimasto la Colombia, nella quale recentemente sette basi militari americane sono state installate. Gli anni bui delle sanguinose dittature militari sono un vivo e terribile ricordo (salvo qualche anacronistica ricaduta, come in Honduras) ma oggi i continuatori di Simon Bolivar e di Ernesto Guevara stanno finalmente conquistando quell’indipendenza geopolitica che gli è sempre mancata.

Arriviamo così alla conclusione di quest’avvincente saggio: La sfida totale è quindi quel percorso a ostacoli che condurrà tutti gli uomini liberi dal grigio presente monocorde di un pianeta globalizzato a guida atlantica, a un mondo multipolare in cui le differenze politiche, sociali e culturali siano parimenti rispettate e preservate. Nell’auspicio che a tali benauguranti segnali faccia seguito il concreto sorgere di un nuovo ordine multipolare, non possiamo quindi che consigliare vivamente la lettura del libro di Daniele Scalea.

Entrevista con Daniele Scalea: «El desafío total» (Stefano Grazioli)

Fuente: Eurasia Online, 26 Mayo 2010

 

Muchos hablan y escriben sobre geopolítica, pocos entienden realmente algo. Daniele Scalea es uno de éstos. Joven, 25 años, licenciado en Ciencias Históricas por la Universidad de Milán, Daniele Scalea, que participa desde hace años en la redacción de Eurasia, ha debutado con una obra de gran profundidad, demostrando que las orillas del lago Mayor (vive en Cannobio) pueden ser un observatorio privilegiado para comprender y explicar los acontecimientos del mundo que nos rodea. No soy sólo yo quien lo afirma, sino también el general Fabio Mini, que ha escrito el preámbulo del nuevo libro de Daniele.El general Mini explica “Podemos decir con seguridad que Daniele Scalea ha escrito un tratado de alta geopolítica. Ha descrito el mundo actual tratando de interpretarlo a la luz de las teorías clásicas de la geopolítica, confirmando, por si fuera necesario, su validez metodológica. Ha tomado como objeto de examen todos los principales actores mundiales, aportando una visión apasionada. No hay nada más que decir.”


Invirtamos la botella y comencemos desde el fondo. Usted concluye su libro diciendo que el nacimiento del Nuevo Mundo, o al menos la reestructuración geopolítica del antiguo, podría ser extremadamente complicado. Esencialmente, que la transición de un sistema semiunipolar a uno multipolar podría inducir dolorosas fricciones debidas al hecho de que la potencia hegemónica –Estados Unidos– opondrá resistencia a la pérdida de su poder. ¿El “desafío total” tiene ya tiene ganadores y perdedores?

La tendencia histórica de la posguerra fría va contra Estados Unidos. En los años 90, la geopolítica mundial experimentó un “momento unipolar”, y todo parecía moverse en la dirección correcta, desde la perspectiva de Washington. Pero ya se estaba incubando lo que vendría después. La última década ha visto la aparición, en los ámbitos económico, estratégico y también político, de auténticos competidores de la “única superpotencia realmente existente.” Me refiero sobre todo a China y Rusia, pero también merecen mencionarse India, Brasil y Japón. El sueño del “fin de la historia” se ha desvanecido. EE.UU. realizó, bajo Bush, un último intento brutal para mantener su supremacía indiscutible: el proyecto de “guerra sin fin”, que iba a aniquilar como una apisonadora todos sus posibles enemigos y competidores, pero se han estancado en los dos primeros obstáculos hallados, a saber, Afganistán e Iraq. El orden mundial actual es semiunipolar, con Estados Unidos todavía como primera potencia hegemónica, pero más por la cautela de sus rivales que por su poder y autoridad. La crisis financiera de 2008 salió de EE.UU. e hizo parcialmente añicos el orden económico en que descansa en gran parte el poderío de Washington. Todo permite suponer que se materializará un retorno a un orden real multipolar, y ésta es también mi previsión.

Pero… como suele suceder, hay un “pero”. Uno de los errores más comunes de nuestro tiempo es percibir las tendencias, como factores fijos e inmutables, cuando en realidad son contingentes. Como sostenía Hume, los seres humanos se inclinan a creer en lo que estamos acostumbrados a ver, o sea, a dar carácter absoluto a lo contingente. Pero la reversión de la tendencia es siempre posible. Estados Unidos no ha aceptado, y difícilmente aceptará, el papel de potencia hegemónica en declive. A menos que se produzcan implosiones internas del tipo previsto por Igor Panarin, serán capaces de oponer resistencia; y siguen teniendo muchas flechas en su arco, si no para bloquear al menos frenar la transición a un mundo multipolar: recordemos, entre los principales, el poderoso instrumento militar (con frecuentes fallos, pero cuya capacidad de proyección global no tiene rival), la hegemonía del dólar (Henry Liu), la centralidad del sistema financiero, la influencia cultural. Ya sabemos cómo, el siglo pasado, fue impugnado el dominio de las talasocracias anglosajonas por el Reich alemán y después por la Unión Soviética, y todos sabemos cómo acabó. Mejor no vender la piel del oso –las plumas del águila, para ser más precisos en la alegoría zoológica– antes de matarlo. Es cierto, sin embargo, que los EE.UU. de principios del siglo XXI parecen sólo una pálida copia de la superpotencia del siglo XX: gran parte de su grandeza proviene de la herencia de las generaciones pasadas, y cuando han de defenderla no parecen estar a la altura de su rango sin par.

Vayamos ahora al principio, a hurgar un poco en el pasado. ¿Puedes sintetizar el concepto de “ataque al corazón de la Tierra” –el Heartland–, que Estados Unidos basa en cuatro aspectos (subversión política, expansión militar, recursos energéticos, supremacía nuclear)?

La estrategia estadounidense, al menos a partir de los últimos años de la XX Guerra Mundial (y quizá antes), está fuertemente inspirada en los principios de la geopolítica. El Heartland definido por Halford Mackinder, es una de las categorías básicas de esta disciplina: es la Tierra-corazón, el centro del continente euroasiático, históricamente impermeable a las potencias marítimas, estas últimas encarnadas primero por el Imperio Británico y luego por el imperialismo “informal” de Estados Unidos. El Heartland está ocupado por Rusia, que representa por lo tanto el principal obstáculo y una amenaza potencial a la hegemonía de la potencia talasocrática, es decir, marítima, de EE.UU. Desde el final de la Guerra Fría hasta la actualidad, Washington y Moscú han intentado en repetidas ocasiones realizar acercamientos amistosos, pero todos terminaron mal. A la política de claudicación de Yeltsin respondió con el desmembramiento de Yugoslavia, y los rusos reaccionaron llevando al Kremlin a un tal Vladimir Putin. La apertura de éste tras el 11 de septiembre se vio recompensada con una penetración de EE.UU. en Asia Central, el “patio trasero” de Rusia. El romance actual, recentísimo, entre Obama y Medvedev no durará mucho tiempo. No hay que dejarse llevar por el determinismo, pero la geografía es un factor importante en los asuntos humanos, y en este caso la geografía condena a Rusia y EE.UU. a ser, al menos en el escenario actual, casi siempre enemigos.

Desde los años 90 hasta hoy Washington, siguiendo teorías como las de Zbigniew Brzezinski, lejos de relajar su presión sobre Moscú, ha intentado explotar el colapso de la URSS para neutralizar la amenaza permanente de Rusia. Las directrices de ataque son cuatro, como usted ha señalado:

a) la subversión política: a través de la CIA, de entes públicos o semipúblicos, como la National Endowment for Democracy, USAID o de supuestas ONG, EE.UU. ha orquestado una serie de golpes de estado en la antigua zona de influencia de Moscú, con objeto de instalar gobiernos proatlantistas y rusófobos, en la medida de lo posible. Los casos más conocidos han sido Serbia, Georgia, Ucrania y Kirguistán. Lo intentaron incluso en Bielorrusia y Rusia (véase Kasparov), pero no les fue bien. Los gobiernos locales se han dado cuenta de la situación, y han comenzado a poner restricciones a las actividades de las organizaciones extranjeras en sus países. Los recientes acontecimientos en Ucrania y Kirguistán sugieren que la ola de “revoluciones de colores” está en reflujo;

b) la expansión militar: la OTAN podría ser descrita como la alianza que vincula a la potencia hegemónica a sus países subordinados. No es cualitativamente diferente de la Liga de Delos, dirigida por Atenas, o de las diversas alianzas itálicas de Roma. Ciertamente, no es una alianza entre iguales. Nacida con una función antisoviética, la disolución de la URSS no sólo no supuso su liquidación sino que se ha expandido hacia el Este hasta las fronteras de Rusia. La nueva doctrina militar de Rusia menciona específicamente a la OTAN entre las amenazas para el país;

c) los recursos energéticos: una poderosa palanca estratégica para Rusia la constituye su papel central en el comercio energético dentro de Eurasia. Estados Unidos ha tratado de disminuirla haciendo de Asia Central un competidor de Moscú, mediante gasoductos y oleoductos alternativos que evitan el territorio de Rusia. La incapacidad para construir la conducción transafgana, el reducido impacto del ducto BTC y la posible quiebra del Nabucco demuestran que el proyecto, al menos por ahora, no ha tenido éxito;

d) la supremacía nuclear: es un punto a menudo ignorado por los comentaristas occidentales. Se define como supremacía nuclear la capacidad de un estado para ganar una guerra nuclear sin sufrir daños excesivos, es decir, de lanzar un primer golpe (first strike) y detener después la represalia subsiguiente. Cuando se dispone de los miles de ojivas y misiles nucleares que tiene EE.UU., es fácil aniquilar a un rival mediante una guerra atómica. El gran problema es ser capaz de evitar ser destruido, a su vez, si el enemigo, como Rusia, dispone de miles de armas nucleares con las que responder. He aquí, por consiguiente, la idea del escudo antimisiles antibalísticos (ABM) soñado por Reagan, revivido por Bush y en absoluto abandonado por Obama, que seguirá siendo durante mucho tiempo un importante contencioso entre Moscú y Washington. De hecho, el Kremlin no se cree el cuento de que el escudo el ABM esté dirigido contra Irán y Corea del Norte, y en mi libro explico en detalle el porqué.

Se centra usted mucho en la política exterior de EE.UU. de última década, diseccionando las diferencias entre idealistas y realistas en la Casa Blanca. ¿Qué ha cambiado con la llegada de Barack Obama a la Casa Blanca?

Muchas cosas, pero probablemente menos de las que podrían haber cambiado si no hubiera existido la crisis financiera de 2008. Obama fue el portador de una alternativa geoestrategia a la de los neoconservadores, menos centrada en Oriente Próximo y más atenta a los equilibrios globales en conjunto. Incluía también una estrategia no declarada de lucha contra Rusia de tipo “brzezinskiano”. La distensión misma con Irán estaba y está concebida principalmente para dirigir a la potencia persa contra Moscú en funciones de contención del flanco sur.

Huelga decir que la crisis ha trastocado los planes. EE.UU. se encontró con el agua al cuello, y Obama se contentó con tratar de salvar la supremacía mundial. El ideologismo de Bush ha sido sustituido por un poco de sana realpolitik, y la amenaza y el uso de la fuerza militar están ahora suavizados por el uso de la diplomacia como vía preferente. Pero esto no es suficiente. Washington ha entendido que no puede conseguir todo solo, y está tratando de cooptar a algunas grandes potencias como muletas de su propia hegemonía. Al principio, Obama intentó formar el famoso G-2 con China, pero pronto la tensión comenzó a subir, y ahora Washington y Pekín se observan con una hostilidad no vista en las últimas décadas. Así, Obama ha dirigido su punto de mira hacia China, y se ha aproximado a Rusia. El leviatán talasocrático y el mastodonte tellurocratico ya se han encontrado uno al lado del otro contra un poder del Rimland, es decir, del margen continental de Eurasia (me refiero a la Alemania del siglo pasado), pero no creo que esto se repita hoy. La superpotencia estadounidense fue capaz de cooptar a la Rusia de Yeltsin y del Putin de los comienzos, pero su excesiva avidez de poder terminó por alejarla. Hoy en día sigue siendo la potencia hegemónica, y por lo tanto suscita envidia y hostilidad, pero es una hegemonía coja, y ya no da las mismas ventajas del pasado. Aliarse con alguien que te utiliza como muleta de su poder debilitado no es ya una perspectiva tan atractiva. El Kremlin tomará por otros caminos y sólo cuando EE.UU. se haya reducido a la categoría de potencia inter pares, entonces podrá volver a discutir de alianzas estratégicas.

El 8 de diciembre 1991, los presidentes de Rusia, Ucrania y Bielorrusia, reunidos en Brest, proclamaron la disolución de la Unión Soviética. Gorbachov se vio obligado a aceptar contra su voluntad. El ex presidente ruso Vladimir Putin, ahora primer ministro, dijo que la disolución de la URSS ha sido la mayor catástrofe geopolítica del siglo XX. ¿Está de acuerdo?

El término catástrofe implica un juicio de valor, y por lo tanto es subjetivo. Al respecto, no hay duda de que el colapso de la URSS, es decir, la potencia terrestre del Heartland que contenía a la superpotencia marítima, fue un acontecimiento trascendental. Y desde el punto de vista de los rusos, sólo puede calificarse de catastrófica. Pero no sólo para ellos. El colapso de la represa soviética –un dique criticado y polémico hasta decir basta– abrió el camino a los intentos hegemónicos de EE.UU., con sus añadidos de abusos y guerras. Para los estadounidenses la desintegración de la URSS fue un éxito; para los polacos una bendición; para los cubanos, sirios o palestinos, una desgracia.

Vladimir Putin ha significado, entre luces y sombras, el símbolo del retorno de Rusia al Gran Tablero de Ajedrez. Usted escribe que la doctrina Putin se puede interpretar como un realismo a la salsa rusa, fundada en la astuta textura de las alianzas intracontinentales con China, India, Irán, Turquía y Europa Occidental. ¿Es decir…?

He recogido de Tiberio Graziani, director de Eurasia, la definición que usted cita. En Rusia, después de la caída del comunismo surgieron dos visiones ideológicas: la eurasiática, que ve en Estados Unidos al enemigo histórico que hay que combatir a toda costa; y la occidentalista, que ve en Occidente el benjamín al que hay que emular por todos los medios. La doctrina Putin va más allá de estos esquemas, y se coloca a medio camino entre los extremistas de ambos bandos. Adopta un lenguaje y unos formalismos caros a los occidentales, y ha considerado por mucho tiempo una prioridad las relaciones con Europa y EE.UU. Pero nunca ha sido sumiso ni se da por vencido, nunca ha renunciado a defender el papel de Rusia en el mundo y su propio espacio vital, el Heartland. Cuando llegó a la conclusión de que con Washington no había lugar para el diálogo, se volvió hacia otras partes. Las alianzas intracontinentales que usted menciona sirven para crear un segundo anillo de seguridad (el primero debe ser el exterior más cercano) en torno a Rusia. El objetivo último es excluir a la talasocracia, es decir EE.UU., de toda la masa continental eurasiática, con el fin de conseguir la seguridad permanente de Rusia.

Según Parag Khanna de los “tres imperios” del nuevo mundo multipolar serían EE.UU., China y la Unión Europea, mientras que Rusia formaría parte del “segundo mundo”. Usted no está de acuerdo. ¿Por qué?

Porque la visión de Parag Khanna se basa principalmente en evaluaciones de tipo económico y en sus propias simpatías personales. La economía es importante, pero no revela todo. Por ejemplo, la Unión Europea, como se sabe, es un gigante económico pero un enano político. Tampoco es un estado, sino una mezcolanza de estados nacionales que, como los acontecimientos actuales están demostrando, en medio de la tormenta prefieren pensar en sus propios intereses. Rusia tiene un ingente patrimonio geopolítico, en términos geográficos, militares y energéticos, con los que desempeñar un papel muy eficaz en el escenario mundial. Moscú sigue estando en el centro de la política internacional; considerarlo como el “segundo mundo” no está justificado.

No obstante, China es y será uno de los líderes de este siglo, y en torno al papel de Pekín se juega, obviamente, el futuro de Washington. Tomo sus palabras: “Para EE.UU., la contención de China debería realizarse con la ayuda de dos “perros guardianes”: India y Japón. ¿Es cierto que Nueva Delhi y Tokio están realmente dispuestos a cumplir el papel que Washington querría asignarles, o bien preferirían unirse a Pekín para crear una “esfera de coprosperidad” asiática?

Es un dilema aún no resuelto. India parecía estar más cerca a China hace unos años, y los profesionales del género comenzaron a utilizar el término “Chindia”. Por el contrario, Japón, que hace unos años parecía ser un irreconciliable enemigo de Pekín, hoy está aproximándose. La situación es fluida y difícil de descifrar, pero la sensación es que Nueva Delhi y Tokio intentarán conocer al ganador: esperarán hasta saber con certeza quién va a ganar entre China y EE.UU., y sólo entonces apostarán todo al caballo ganador.

Por último, desplacémonos a otro ámbito del extranjero, en el que los grandes actores son siempre los mismos. En su libro, escribe usted que Obama parece decidido a recuperar su influencia sobre el “patio trasero”, por cualquier medio. Rusia y China, sin embargo, ofrecen un cauce diplomático a las nuevas potencias emergentes como Brasil y Venezuela. ¿Los conflictos futuros están ya programados?

América del Sur ha sido históricamente una zona muy tranquila. Pero esto se debe también a su historia de marginalidad en el marco geopolítico, y a la hegemonía indiscutible durante mucho tiempo de EE.UU. Estos dos factores están perdiendo importancia. En América del Sur está surgiendo una gran potencia mundial – Brasil– mientras que el control estadounidense del “patio trasero” se ha visto seriamente erosionado. China y Rusia se burlan de la Doctrina Monroe, piedra angular de la estrategia de EE.UU. desde hace dos siglos. Washington pasará a la acción, o mejor dicho, a la reacción, y no sabemos aún qué herramienta elegirá.

¿Mayor integración económica? El ALCA ha sido rechazado por casi todos los países de América del Sur.

¿Lazos militares? En América del Sur, Rusia ya supera a EE.UU. en la exportación de armas.

¿Influencia cultural? El sentimiento antiestadounidense, enraizado en la tradición, alcanza en niveles históricos, y el despertar de la comunidad indígena conduce a un redescubrimiento de su patrimonio más arcaico, en lugar de adoptar el estilo de vida americano.

¿Golpes de estado? En Venezuela lo intentaron, pero fue un fracaso; un pez mucho más pequeño, Honduras, ha caído en la red, pero se encuentra casi totalmente aislado de la región.

¿Guerras por delegación? Los países de América del Sur son extremadamente reacios a ir a la guerra entre sí, aunque sólo sea porque todos ellos son inestables internamente, y temen graves consecuencias en el interior. En torno a Colombia la tensión va en aumento, y mucho dependerá de las próximas elecciones presidenciales. Santos recuerda en algunos aspectos a Saakashvili: es un exaltado, con él todo es posible. Mockus, por el contrario, busca el entendimiento con sus vecinos y aflojar los lazos con EE.UU. En cualquier caso, para Bogotá sería un movimiento por lo menos arriesgado ir a la guerra con sus vecinos, cuando ni siquiera controla su propio territorio nacional.

¿Guerras en primera persona? A descartar, al menos mientras las tropas estadounidenses sigan empantanadas en Iraq y Afganistán. E incluso después de haber evacuado estos dos países del Oriente Próximo, la experiencia tendrá un impacto negativo en la propensión a la guerra en los próximos años. No cabe duda de que no son eventos traumáticos como Vietnam –por la participación de soldados profesionales, en lugar ciudadanos reclutados a la fuerza– pero el país está desmoralizado y las arcas vacías. Por otra parte, los países de América del Sur se están integrando: atacar a uno echaría a perder las relaciones con todos.

Por estas razones, creo que en los próximos años Washington se limitará, simplemente, a subvencionar y “vender” en los medios de comunicación a sus paladines locales: ya lo está haciendo en Brasil, aunque difícilmente el Partido de los Trabajadores de Lula será expulsado del poder. En alguna “república bananera” centroamericana podrán también organizar un golpe de estado, pero el arma tradicional estadounidense de influencia sobre los vecinos del Sur está perdiendo cada vez más fuerza.

La pérdida de la hegemonía en el continente americano representa un punto de inflexión para EE.UU. y la geopolítica mundial. Estados Unidos de América, potencia continental, ha podido inventarse a sí misma como potencia marítima al contar con el aislamiento que le confería la ausencia de enemigos en el continente: desde finales del siglo XIX han sido por tanto capaces de proyectarse con seguridad por los océanos y más allá de sí mismos. Con la aparición de fuertes rivales en las Américas, EE.UU. perdería una de sus ventajas estratégicas históricas: dejar de ser una “isla” geopolítica y volver a ser una potencia continental.

¿Cuáles son estos rivales que Estados Unidos puede encontrar en el continente? Es fácil de responder que Brasil, por encima de todos, por su dimensión y población, que le permiten desafiar la supremacía de Washington en el hemisferio occidental. Es fácil hacer referencia al “bloque bolivariano”, países que individualmente son débiles, pero que si llegaran a unirse, fortalecidos por la vehemencia ideológica, crearían muchos problemas a los gringos, como ellos los llaman. Y no olvidemos a México, un país muy grande, que comparte frontera con EE.UU. y cultiva –aunque silenciosamente– históricas reivindicaciones territoriales sobre el sur de los Estados Unidos. Su economía está creciendo rápidamente, y en pocos años se considerará una gran potencia, al menos en este ámbito. Tiene dificultades para controlar la parte norte del país, pero es la menos poblada y más pobre. Por otra parte tiene un arma atípica. Samuel Huntington, poco antes de su muerte, hizo una advertencia a sus compatriotas: deberían estar atentos al enorme incremento en el número de latinos –en su mayoría mexicanos– en Estados Unidos. Los latinos se concentran en unos pocos estados: California, Texas, Arizona, Nuevo México e incluso Florida (se trata de cubanos y puertorriqueños). Vienen en masa y tienden a preservar su lengua, religión y forma de vida. Ya han adquirido un peso electoral significativo, pero en su mayoría no están integrados en la sociedad estadounidense. En el Sur, los cárteles del tráfico de drogas ya han creado verdaderos estados dentro del Estado, que se enseñorean en los barrios latinos, son capaces de financiarse mediante el tráfico ilícito de drogas y la prostitución, y tienen verdaderos ejércitos armados hasta los dientes. Un sujeto ideal para llevar a cabo una guerra asimétrica, si llegasen a crearse las condiciones. Estos cárteles de la droga tienen el mismo poder al otro lado de la frontera norte de México, y cuentan también con importantes colusiones con las autoridades de Ciudad de México. No es casual que en EE.UU. desde hace algunos años están tratando de frenar la inmigración y la integración de los latinos en la sociedad, mientras que en México no hacen nada para disuadir a sus ciudadanos de expatriarse a tierras que el vecino del Norte robó a México hace ciento cincuenta años. La situación es explosiva, y algunos analistas, como George Friedman, se han dado cuenta.

Gracias por la entrevista.

La Sfida Totale. Intervista a Daniele Scalea (di Stefano Grazioli)

Tratto da East Side Report, 17 maggio 2010. Intervista di Stefano Grazioli a Daniele Scalea

Tanti parlano e scrivono di geopolitica, pochi ne capiscono davvero qualcosa. Daniele Scalea è uno di questi. Giovane, 25 anni e una laurea in Scienze storiche alla Statale di Milano, Daniele Scalea – che già da qualche anno é nella redazione di Eurasia –  ha esordito con un opera di grande spessore (un assaggio sul sito), dimostrando che le sponde del Lago Maggiore (vive a Cannobio) possono diventare un osservatorio privilegiato per capire e spiegare le vicende del Mondo che ci circonda. A confermarlo non sono tanto io, quanto chi ha scritto la prefazione del nuovo libro di Daniele, “La sfida totale – Equilibri e strategie nel grande gioco delle potenze mondiali” (Fuoco Edizioni), e cioè il generale Fabio Mini, uno che ne capisce: “Si potrebbe tranquillamente dire che Daniele Scalea ha scritto un trattato di alta Geopolitica. Ha descritto il mondo attuale cercando di interpretarlo alla luce delle teorie classiche della Geopolitica confermandone, e ce n’era bisogno, la validità metodologica. Ha preso in esame tutti i grandi attori mondiali e dopo una panoramica appassionata, non c’è nient’altro da dire”.

Ecco, non aggiungo altro nemmeno io. Consiglio solo di correre in libreria o ordinare il libro via internet direttamente dall’editore. E di leggere con attenzione la lunga  intervista che gentilmente che l’autore ci ha concesso.

 

Rovesciamo la bottiglia e partiamo dal fondo. Lei conclude il suo libro scrivendo che la nascita del Nuovo Mondo, o perlomeno la ristrutturazione geopolitica di quello vecchio, potrebbe essere oltremodo complicata: in sostanza il passaggio da un sistema semi-unipolare a uno multipolare rischia di produrre dolorose frizioni dovute al fatto che la potenza egemone – gli Stati Uniti – opporrà resistenza alla perdita del proprio potere. La “sfida totale” ha già vincitori e vinti?

La tendenza storica del post-Guerra Fredda marcia contro gli USA. Negli anni ’90 la geopolitica mondiale ha vissuto il suo “momento unipolare”, e tutto sembrava girare per il verso giusto, dalla prospettiva di Washington. Ma già si covava quanto sarebbe venuto. L’ultimo decennio ha visto l’emergere a livello economico, strategico ed infine anche politico di veri e propri competitori della “unica superpotenza rimasta”: il riferimento è prima di tutto a Cina e Russia, ma una menzione la meritano pure India, Brasile, Giappone. Il sogno della “fine della storia” è svanito. Gli USA hanno tentato, sotto Bush, un ultimo brutale tentativo di mantenere la propria supremazia incontrastata: il progetto di “guerra infinita”, che avrebbe dovuto annichilire come un rullo compressore tutti i possibili nemici e competitori, ma che si è arenato già sui primi due scogli incontrati, ossia Afghanistan e Iràq. L’ordine mondiale odierno è “semi-unipolare”, con Washington ancora potenza egemone, ma più per la cautela dei suoi rivali che per la propria forza ed autorità. La crisi finanziaria del 2008 è partita dagli USA ed ha mandato parzialmente in frantumi quell’ordine economico su cui si fonda gran parte del potere di Washington. Tutto lascia supporre che si concretizzerà il ritorno ad un vero e proprio ordine “multipolare”, e questa è anche la mia previsione.

Però …come spesso accade c’è un “però”. Uno degli errori più comuni del nostro tempo è quello di percepire le tendenze come fattori fissi ed immutabili, quando in realtà sono contingenti. Come sosteneva Hume, l’uomo è portato a credere in ciò che è abituato a vedere, ossia ad assolutizzare il contingente. Ma le inversioni di tendenza sono sempre possibili. Gli Stati Uniti non hanno accettato e difficilmente accetteranno il ruolo di ex egemone in declino. A meno d’implosioni interne del tipo pronosticato da Igor Panarin, riusciranno ad opporre resistenza, ed hanno molto frecce al loro arco se non per bloccare, quanto meno per rallentare la transizione al mondo multipolare: ricordiamo, tra i principali, il poderoso strumento militare (che spesso fa cilecca, ma per capacità di proiezione globale non ha pari), la “egemonia del dollaro” (Henry Liu), la centralità nel sistema finanziario, l’influenza culturale. Già il secolo scorso la supremazia delle talassocrazie anglosassoni fu sfidata, prima dal Reich tedesco e poi dall’Unione Sovietica, e sappiamo bene tutti come andò a finire. Meglio non vendere la pelle dell’orso (o le penne dell’aquila, se vogliamo esser più precisi nell’allegoria zoologica) prima d’averlo ucciso. Certo però che questi USA d’inizio XXI secolo paiono solo la copia sbiadita della superpotenza del ventesimo: molta della loro grandezza deriva dall’eredità delle generazioni passate, e quando sono chiamati a difenderla non sembrano all’altezza del proprio rango senza pari.

E ora dall’inizio, tuffandoci un po’ nel passato. L’attacco al cuore della Terra, all’Heartland, che gli Stati Uniti hanno attuato su quattro direttrici (sovversione politica, espansione militare, risorse energetiche, supremazia nucleare): può sintetizzare?

La strategia statunitense, quanto meno dagli ultimi anni della Seconda Guerra Mondiale in poi (e forse anche da prima), è fortemente ispirata ai princìpi della geopolitica. L’Heartland (H. Mackinder) è una delle categorie basilari di questa disciplina: è la Terra-cuore, il centro del continente eurasiatico, storicamente impermeabile alla potenza marittima – quest’ultima incarnata prima dall’Impero britannico e poi dal “imperialismo informale” statunitense. L’Heartland è occupato dalla Russia, che rappresenta perciò stesso il principale ostacolo e minaccia potenziale all’egemonia della potenza talassocratica, ossia marittima, degli USA. Dalla fine della Guerra Fredda ad oggi, Washington e Mosca hanno più volte tentato approcci amichevoli, ma tutti sono finiti male. All’arrendevolezza di El’cin si rispose con lo smembramento della Jugoslavia, ed i Russi reagirono portando al Cremlino un certo Vladimir Putin. Le sue aperture dopo l’11 settembre sono state ripagate con la penetrazione statunitense in Asia Centrale, nel “cortile di casa” russo. Anche l’attuale recentissimo idillio tra Obama e Medvedev durerà poco. Nessuno vuole sfociare nel determinismo, ma la geografia è un fattore importante nella vicenda umana, ed in questo caso la geografia condanna Russia e USA ad essere, almeno nello scenario attuale, quasi sempre nemici.

Dagli anni ’90 ad oggi gli Statunitensi, sulla scia di teorizzazioni come quelle di Zbigniew Brzezinski, lungi dall’allentare la morsa su Mosca hanno cercato di sfruttare il crollo dell’URSS per neutralizzare definitivamente la minaccia russa. Le “direttrici d’attacco”, come da lei sottolineato, sono state quattro:

a) la sovversione politica: tramite la CIA, enti pubblici o semi-pubblici come il National Endowment for Democracy o U.S. Aid, e finte ONG gli USA hanno orchestrato una serie di colpi di Stato in giro per l’ex area d’influenza moscovita, allo scopo d’insediare quanti più governi filo-atlantici e russofobi fosse possibile. I casi più celebri: Serbia, Georgia, Ucraìna, Kirghizistan. Ci hanno provato persino in Bielorussia e in Russia (leggi Kaspàrov), ma non è andata bene. I governanti locali si sono fatti furbi ed hanno iniziato a porre una serie di restrizioni alle attività d’organizzazioni straniere nei propri paesi. Gli ultimi eventi in Ucraìna e Kirghizistan fanno pensare che l’ondata di “rivoluzioni colorate” sia ormai in fase di risacca;

b) l’espansione militare: la NATO si potrebbe definire come l’alleanza che lega l’egemone statunitense ai paesi ad esso subordinati. Non è qualitativamente diversa dalla Lega Delio-Attica capeggiata da Atene, o dalle varie alleanze italiche di Roma. Un’alleanza non certo tra pari. Nata in funzione anti-sovietica, scioltasi l’URSS non solo non ha chiuso i battenti ma si è allargata verso est, fino ai confini della Russia. La nuova dottrina militare russa cita espressamente la NATO tra le minacce per il paese;

c) le risorse energetiche: una potente leva strategica per la Russia è costituita dalla sua centralità nel commercio energetico intra-eurasiatico. Gli USA hanno cercato di sminuirla facendo dell’Asia Centrale un competitore di Mosca, tramite gasdotti e oledotti alternativi che scavalcassero il territorio russo. L’impossibilità di costruire la condotta trans-afghana, il ridotto impatto del BTC ed il fallimento annunciato del Nabucco chiariscono che il progetto, almeno per ora, non ha avuto successo;

d) la supremazia nucleare: è un punto sovente ignorato dai commentatori occidentali. Si definisce “supremazia nucleare” la capacità d’uno Stato di vincere una guerra atomica senza subire danni eccessivi, ossia di sferrare un “primo colpo” (first strike) parando la successiva rappresaglia. Quando si dispone di migliaia di testate e missili nucleari, come gli USA, è facile annientare un rivale con una guerra atomica: il grosso problema è riuscire ad evitare d’essere annientati a propria volta se il nemico, come la Russia, ha a sua volta migliaia di armi nucleari con cui rispondere. Ecco dunque l’idea dello scudo ABM (anti-missili balistici), il sogno di Reagan riesumato da Bush e per niente accantonato da Obama. Resterà ancora a lungo una delle principali pietre della discordia tra Mosca e Washington. Infatti, il Cremlino non si beve la storia che lo scudo ABM sia rivolto contro l’Iràn e la Corea del Nord, e nel mio libro spiego dettagliatamente il perché.

Lei si sofferma sulla politica estera statunitense dell’ultimo decennio sviscerando le differenze tra idealisti e realisti alla Casa Bianca. Cosa ha cambiato l’arrivo di Barack Obama alla Casa Bianca?

Ha cambiato molto, ma probabilmente meno di quello che avrebbe potuto se non ci fosse stata la crisi finanziaria del 2008. Obama era portatore d’una geostrategia alternativa a quella neoconservatrice, meno fissata sul Vicino e Medio Oriente e più attenta agli equilibri globali nel loro complesso. Essa comprendeva anche una non dichiarata strategia anti-russa di tipo brzezinskiana. La stessa distensione con l’Iràn era ed è mirata soprattutto a rivolgere la potenza persiana contro Mosca in funzione di contenimento sul fianco meridionale.

Inutile dire che la crisi ha scompaginato i piani. Gli USA si sono ritrovati con l’acqua alla gola, ed Obama s’è accontentato di cercare di salvarne la supremazia mondiale. L’ideologismo di Bush è stato sostituito con un po’ di sana Realpolitik, e la minaccia ed uso della forza militare sono oggi stemperate dal ricorso alla diplomazia come via prediletta. Ma ciò non è sufficiente. Washington, capendo di non farcela più da sola, sta cercando di cooptare qualche grande potenza come stampella della propria egemonia. All’inizio Obama ha cercato di formare il famoso “G-2” con la Cina, ma ben presto la tensione ha preso a montare ed oggi Washington e Pechino si guardano in cagnesco come non succedeva da decenni. Così Obama ha messo nel mirino la Cina, ed ha pensato bene di corteggiare la Russia. Il “leviatano” talassocratico ed il “behemoth” tellurocratico si sono già trovati fianco a fianco contro una potenza del Rimland, ossia del margine continentale dell’Eurasia (mi riferisco alla Germania nel secolo scorso), ma non credo che ciò si ripeterà oggi. Gli USA superpotenza avrebbero potuto cooptare la Russia di El’cin e del primo Putin, ma si sono rivelati troppo avidi di potere ed hanno finito con l’allontanarla. Oggi sono ancora la potenza egemone, e perciò suscitano invidia ed ostilità, ma sono un egemone zoppo,  e dunque appoggiarlo non dà più gli stessi vantaggi d’un tempo. Allearsi con qualcuno che ti vorrebbe come stampella del suo potere traballante non è una prospettiva così allettante. Il Cremlino prenderà altre strade. Solo quando gli USA si saranno ridimensionati al rango di grande potenza inter pares, allora si potrà ridiscutere d’alleanze strategiche.

L’8 dicembre 1991 i presidenti di Russia, Ucraina e Bielorussia, riuniti a Brest, proclamarono la dissoluzione dell’Unione Sovietica, che Gorbačev fu costretto ad accettare suo malgrado. L’ex presidente russo Vladimir Putin, ora primo ministro, ha affermato che la dissoluzione dell’Urss è la stata la più grande catastrofe geopolitica del XX secolo. È d’accordo?

Il termine “catastrofe” sottintende un giudizio di valore, e dunque è soggettivo. Restando sul merito, è indubbio che il crollo dell’URSS, ossia della potenza terrestre dell’Heartland che conteneva la superpotenza marittima, è stato un evento epocale. E dal punto di vista dei Russi, non si può che considerare catastrofico. Ma non solo dal loro. Il crollo della diga sovietica – una diga criticabile e controversa fin quanto si vuole – ha aperto la strada al tentativo egemonico degli USA, col suo contorno di prevaricazione e guerre. Per gli Statunitensi la disgregazione dell’URSS è stata un successo, per i Polacchi una benedizione, per i Cubani, i Siriani o i Palestinesi una disgrazia.

Vladimir Putin è stato, tra luci ed ombre, il simbolo della ritorno della Russia sulla Grande Scacchiera. Lei scrive che la “Dottrina Putin” può essere interpretata come un realismo in salsa russa, fondato sull’accorta tessitura d’alleanze intra-continentali con la Cina, l’India, l’Iran, la Turchia e l’Europa Occidentale. Cioè?

Ho ripreso la definizione che cita da Tiberio Graziani, direttore della rivista “Eurasia”. In Russia, dopo la fine del comunismo sono emerse due visioni ideologiche: quella eurasiatica, che vede negli USA il nemico storico da combattere ad ogni costo, e quella occidentalista, che vede nell’Ovest il beniamino da emulare e compiacere ad ogni costo. La Dottrina Putin esula da questi schemi e si pone nel mezzo degli “opposti estremismi”. Putin ha adottato linguaggi e formalità cari agli occidentali, ed ha a lungo considerato prioritari i rapporti con l’Europa e gli USA. Ma non è mai stato arrendevole e rinunciatario, non ha mai rinunciato a difendere il ruolo della Russia nel mondo ed il suo “spazio vitale” nell’Heartland. Quando ha verificato che con Washington non c’erano spazi di dialogo, si è rivolto altrove. Le alleanze intra-continentali da lei citate servono a creare un “secondo anello di sicurezza” (il primo dovrebbe essere il “estero vicino”) attorno alla Russia. L’obiettivo finale è estromettere la talassocrazia, ossia gli USA, dall’intera massa continentale eurasiatica, per mettere definitivamente in sicurezza la Russia.

Secondo Parag Khanna i “tre imperi” del nuovo mondo multipolare sarebbero Usa, Cina e Unione Europea, mentre la Russia farebbe parte del “secondo mondo”. Lei non è d’accordo. Perché?

Perché la visione di Parag Khanna si fonda sostanzialmente su valutazioni di tipo economico e sulle sue simpatie personali. L’economia è importante ma non rivela tutto. Ad esempio, l’Unione Europea, si sa, è un gigante economico ma un nano politico. Non è neppure uno Stato, bensì un’accozzaglia di Stati nazionali che, come stanno dimostrando gli eventi attuali, in mezzo alla tempesta preferiscono pensare ognuno per sé. La Russia ha un ingente patrimonio geopolitico, in termini geografici, militari ed energetici, che può giocare efficacemente sulla grande scacchiera mondiale. Mosca è ancora al centro della politica internazionale, considerarla parte del “secondo mondo” è ingiustificato.

La Cina è e sarà comunque uno dei protagonisti di questo secolo e intorno al ruolo di Pechino si gioca ovviamente il futuro di Washington. Riprendo allora le sue parole: «Per gli Usa il contenimento della Cina dovrebbe avvenire attraverso due “cani da guardia” posti al suo fianco: l’India e il Giappone. Davvero Nuova Delhi e Tokio sono disposti a ricoprire il ruolo che Washington vorrebbe affibbiare loro, oppure preferiranno unirsi a Pechino per creare una “sfera di co-prosperità” asiatica?»

È un dilemma che non ha ancora trovato risposta. L’India sembrava più vicina alla Cina qualche anno fa, quando entrò nel gergo comune degli addetti ai lavori il termine “Cindia”. Al contrario, il Giappone che qualche anno fa pareva nemico irriducibile di Pechino oggi gli si sta riavvicinando. La situazione è fluida e difficile da decifrare, ma la sensazione è che Nuova Delhi e Tokio cercheranno la vincita sicura: aspetteranno di capire con certezza chi avrà la meglio tra Cina e USA, e solo allora punteranno tutto sul cavallo vincente.

Spostiamoci infine Oltreoceano, dove comunque i grandi attori sono sempre gli stessi. Nel libro scrive che Obama sembra deciso a recuperare l’influenza sul “cortile di casa”, e con qualsiasi mezzo. Russia e Cina, invece, offrono una sponda diplomatica alle nuove potenze emergenti come Brasile e Venezuela. I prossimi conflitti sono programmati?

Il Sudamerica è storicamente un’area molto pacifica. Ma ciò è dovuto anche alla sua storia di marginalità nel quadro geopolitico, ed all’egemonia a lungo incontrastata degli USA. Oggi questi due fattori stanno venendo meno. In Sudamerica sta emergendo una grande potenza mondiale – il Brasile – mentre il controllo degli USA sul “cortile di casa” è stato seriamente intaccato. Cina e Russia si fanno beffe della Dottrina Monroe, punto fermo della strategia statunitense da un paio di secoli. Washington passerà all’azione, o meglio alla reazione, e non sappiamo ancora quali strumenti sceglierà.

Maggiore integrazione economica? L’ALCA è stato bocciato da quasi tutti i paesi sudamericani.

Legami militari? In Sudamerica la Russia ha superato gli USA nell’esportazione di armi.

Influenza culturale? I sentimenti anti-statunitensi, tradizionalmente radicati nell’area, appaiono al massimo storico, ed il risveglio della comunità indigena porta ad una riscoperta del proprio retaggio più arcaico, piuttosto che all’adozione della way of life nordamericana.

Colpi di Stato? In Venezuela ci hanno provato ma fu un fallimento; un pesce molto più piccolo come l’Honduras è caduto nella rete, ma si ritrova quasi completamente isolato nella regione.

Guerre per procura? I paesi sudamericani sono molto restî a scendere in guerra tra loro, se non altro perché sono tutti instabili al loro interno e temono gravi contraccolpi domestici. Attorno alla Colombia la tensione sta montando, e molto decideranno le imminenti elezioni presidenziali. Santos ricorda per certi versi Saakašvili: è una testa calda, con lui tutto sarebbe possibile. Mockus, al contrario, cercherebbe la distensione coi vicini ed allenterebbe i legami con gli USA. In ogni caso, per Bogotà sarebbe una mossa come minimo azzardata andare in guerra coi vicini, quando non controlla neppure il proprio territorio nazionale.

Guerre in prima persona? Sono da escludersi almeno finché le truppe nordamericane rimangono impantanate in Iràq e Afghanistan. Anche dopo aver evacuato i due paesi mediorientali, l’esperienza inciderà negativamente sulla propensione alla guerra nei prossimi anni. Certo, non sono eventi traumatici come il Vietnam – avendovi preso parte soldati professionisti e non cittadini coscritti – ma il paese è comunque demoralizzato e le casse vuote. Inoltre i paesi sudamericani si stanno integrando: attaccarne uno significherebbe rovinare i rapporti con tutti.

Per tali ragioni, ritengo che nei prossimi anni Washington si limiterà a sovvenzionare e “pompare” a livello mediatico i propri campioni in loco: lo sta già facendo in Brasile, anche se difficilmente il Partito dei Lavoratori di Lula sarà scalzato dal potere. In qualche “repubblica delle banane” centroamericana potranno pure organizzare dei golpe, ma l’arma tradizionale dell’influenza nordamericana sui vicini meridionali appare sempre più spuntata.

La perdita dell’egemonia sul continente americano rappresenterà una svolta epocale per gli USA e la geopolitica mondiale. Gli Stati Uniti d’America, potenza continentale, hanno potuto inventarsi potenza marittima contando sull’isolamento conferito dall’assenza di nemici sulla terraferma: dal Novecento hanno perciò potuto proiettarsi con sicurezza sugli oceani e al di là degli stessi. Con l’emergere di forti rivali nelle Americhe, gli USA perderebbero uno dei loro storici vantaggi strategici: smetterebbero di essere “un’isola” geopolitica e ritornerebbero una potenza continentale.

Quali sono questi “rivali” che gli USA potranno trovare nel continente? Facile rispondere il Brasile, su tutti, che ha dimensioni e demografia adatte a sfidare la supremazia di Washington nell’emisfero occidentale. Facilissimo citare il “blocco bolivariano”, paesi che presi singolarmente sono deboli, ma che se dovessero riuscire ad unirsi, resi più forti dalla veemenza ideologica, creerebbero non pochi problemi ai gringos, come li chiamano loro. E non scordiamoci il Messico. Il Messico è una nazione molto grande, direttamente confinante con gli USA, e coltiva – anche se silenziosamente – storiche rivendicazioni territoriali sul sud degli Stati Uniti. La sua economia è in forte crescita: fra pochi anni sarà considerata una grande potenza, almeno in quest’ambito. Fatica a tenere sotto controllo la parte settentrionale del paese, ma è quella meno popolata e più povera. In compenso ha un’arma atipica. Samuel Huntington, poco prima di morire, lanciò un avvertimento ai propri connazionali: di guardarsi dall’enorme aumento numerico dei Latinos – per lo più messicani – negli USA. I Latinos sono concentrati in pochi Stati: California, Texas, Arizona, New Mexico ed anche Florida (qui si tratta di cubani e portoricani). Giungono in massa e tendono a conservare la propria lingua, la propria religione ed il proprio modo di vivere. Hanno già acquisito un ingente peso elettorale, ma in massima parte non sono integrati nella società statunitense. Nel Sud, i cartelli criminali del narcotraffico hanno costituito veri e propri “Stati nello Stato”, che spadroneggiano nei quartieri latini, sanno autofinanziarsi illecitamente tramite il traffico di droga e la prostituzione, hanno veri e propri eserciti armati fino ai denti. Un soggetto ideale per condurre una guerra asimmetrica, se se ne creassero le condizioni. Questi cartelli del narcotraffico hanno eguale potere al di là del confine, nel settentrione del Messico, e forti collusioni con le autorità di Città del Messico. Non è un caso che negli USA da alcuni anni stiano cercando d’arginare l’immigrazione e d’integrare i Latinos nella società, mentre in Messico non fanno nulla per dissuadere i propri cittadini dall’espatriare nelle terre che gli Statunitensi rubarono al Messico centocinquant’anni fa. La situazione è esplosiva, e qualche analista – come George Friedman – se n’è accorto.

Grazie per l’intervista.

 

Daniele Scalea

La Sfida Totale – Equilibri e strategie nel grande gioco delle potenze mondiali

Fuoco Edizioni, 186 pagine, 15 Euro.

Non solo geopolitica